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Mostrando postagens de maio, 2015

O lado das tartarugas

Aeneas devia ter oito ou nove anos de idade quando o viu pela primeira vez. Havia se perdido dos pais durante uma viagem ao norte e nunca soube como fora parar dentro daquele lago. Lembra-se, porém, da água que parecia congelar seus ossos e de sua respiração que se tornara fantasmagórica como a névoa que o envolvia. Ah, ele também se lembra das tartarugas, é claro. Existiam várias delas, apareciam e sumiam ao seu redor, silenciosas como a mais leve brisa. Eu não senti medo. Não que essa fosse uma situação corriqueira na vida das pessoas, mas de algum modo ele sentia-se em casa, uma casa desconhecida. Mergulhou na gélida água com um único fôlego e ficou pasmo diante da dança que as tartarugas mantinham, e não resistiu a tocar uma. O que aconteceu a seguir ele não entenderia até muito tempo depois, foi como entrar em um sonho sem estar dormindo; Ele viu uma criança. Era menor do que ele e seus cabelos reluziam dourados ao sol. Aeneas nunca a vira na vida, mas sabia que a amava....