O corvo, parte 1 Certo dia veio a mim, um sorrateiro corvo carmesim. Provoquei-o, então, a um jogo de trocas: um riso leve por algumas troças. Para essa ave, baixada do céu, arrisquei os primeiros floreios no papel: Cantei das plumas vermelho-chama, tão belas e de perfeita trama. Rimei sobre os olhos verde-estelar, e de seu canto que me lembrava o mar. Com esses gracejos o fiz sorrir, e em sua alegria comecei a fluir. Mas me deixando com as flores no chão, o corvo voava, sem rumo ou razão. ‘Por que somes? ’, quis eu perguntar, mas o bom alento ele trazia ao voltar. Nesse vai e vem de pouco ritmo, o corvo rubro era uma chama, que apaga e acende, feito riso tímido, e sutilmente o coração ganha. Mas sua longa ausência em vales sombrios, trocou a inspiração por versos vazios. Tranquilo, seu retorno eu aguardava, mas a saudade, no fundo, queimava. Fui vivendo, como sei, assim, sempre a sonhar com o corvo carmesim. Até que num veleiro embarquei de repente, e segui rumo ao sol nascente. Verde...
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